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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Comilança demais pode ser sinal de problemas emocionais

Se você começar a perceber que depois de comer muito sente culpa, fique atento(a) para as emoções que possam estar desencadeando esta compulsão por comida

 

Necessidade de comer sem controle pode ser indício de algum problema emocional
Necessidade de comer sem controle pode ser indício de algum proble-
ma emocional. (Reprodução)
Eventualmente, todo mundo se acaba de comer em uma churrascaria, na ceia de Natal, em um almoço de domingo com a família. Comer além do necessário e ficar com aquela sensação de estômago estufado acontece. Porém, se devorar alimentos em maior quantidade do que o normal for frequente e vier associado a sentimentos de culpa, atenção. "Pode ser baixa autoestima e dificuldade de lidar com questões difíceis, como frustrações, críticas e mágoas", afirma a psiquiatra e terapeuta de família Liliane Kijner Kern, do Programa de Atenção a Transtornos Alimentares da Unifesp.

Emoções negativas também podem nos levar a atacar geladeira. "Geralmente, são sensações como tristeza, abandono e carência afetiva", diz o psiquiatra Fabio Salzano, vice-coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HC (Hospital das Clínicas). O médico também culpa as dietas muito rígidas por alguns episódios de ataques furiosos à comida. "É o caso, por exemplo, de quem fica dois meses sem comer doces e, ao ver um bolo na padaria, compra e o come inteiro. Essa pessoa está doente? Não. Isoladamente, isso não é problema médico. Mas não é o ideal em termos comportamentais", declara o psiquiatra Fabio Salzano, vice-coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do HC. 

Mas há outros sentimentos ruins que resultam no desejo incontrolável de mastigar todo alimento que vemos pela frente. "Ansiedade, estresse e depressão podem detonar um daqueles momentos em que comemos demais. Nesses casos, é como se fossem confundidas as emoções com a fome, e se tenta atenuá-las comendo, o que poderá se tornar um círculo vicioso", explica Marco Antonio De Tommaso, psicólogo e psicoterapeuta especializado em transtornos alimentares e emagrecimento.

Mas o contrário também pode acontecer: comer demais por estar muito bem. "As pessoas confundem alimentação com sentimentos e emoções. Podem comer aquele mesmo bolo inteiro porque estão felizes. Alimento não é para se premiar nem martirizar. É algo de que nosso organismo precisa", declara Salzano, que critica dietas muito restritivas. "Nada tem de ser proibido. Não é errado comer doces. Depende da proporção na alimentação", afirma o médico. 

É muito comum buscarmos a sensação de conforto na comida. "Ela pode suprir um lado nosso que está meio capenga", diz a psiquiatra Liliane, que aconselha a observação do comportamento. "Se for algo eventual, tudo bem. Mas, caso sentar-se na frente da TV e desandar a comer se torne um hábito, é bom questionar se a comida não é apenas um meio de afogar as mágoas."

Quando comer demais é um transtorno

É muito importante dar atenção à frequência e sentimentos que aparecem após os episódios de comilança. Eles podem sinalizar algo mais grave.  O psicólogo Marco Antonio De Tommaso costuma atender modelos em seu consultório. Algumas dessas jovens perceberam nessas situações um problema. "A imprevisibilidade do meio em que vivem estimula a ansiedade. Muitas mudaram de cidade ou estado, estão distantes da família, sofrem pressão para emagrecer. Algumas se submetem a dietas malucas e não aguentam. Muitas podem começar, a partir daí, a ter o transtorno alimentar", declara o psicoterapeuta.

Esses casos já se enquadram no Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP). Os indivíduos com esse problema comem exageradamente ao longo do dia, com sentimento de descontrole, culpa e vergonha por ingerir tanta comida de uma vez. "Se isso acontece pelo menos duas vezes por semana e por um período de seis meses seguidos, já é um transtorno médico", afirma Salzano. No caso do TCAP, a pessoa não faz nada para compensar os exageros --diferentemente da bulimia, em que as vítimas provocam vômitos, usam laxantes e fazem exercícios à exaustão. 

O psiquiatra Fábio Salzano concorda que uma dieta restritiva pode ser o gatilho para o problema. "Mas se vier acompanhada de sentimentos negativos como ansiedade, depressão e a pessoa tiver predisposição genética. Além disso, há questões biológicas que podem estar influenciando também. É multifatorial", diz Salzano. A psiquiatra Liliane Kern acrescenta outras características presentes em quem sofre desse mal: "Essas pessoas costumam ter dificuldade de controlar os impulsos, grande insatisfação com relação ao peso, baixa autoestima e viveram o efeito sanfona no decorrer da vida".

Fonte: A Crítica

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dançar ajuda a combater a depressão

Atividade física também contribui para o desenvolvimento intelectual e cognitivo

Dançar é um ótimo remédio para ajudar a combater a depressão e doenças degenerativas como o mal de Parkinson e outras patologias neurodegenerativas. A atividade, ao som da música, contribui para o desenvolvimento intelectual e cognitivo.

Uma pesquisa da Harvard Medical School, dos Estados Unidos, acompanhou pacientes com doenças neurodegenerativas que foram submetidos a aulas de dança. Eles tiveram uma melhora no movimento das articulações e no bem-estar. Aqueles que se sentiam deprimidos, melhoraram o humor e se sentiram mais felizes.

Os benefícios ocorrem com a dança porque ao mexer o corpo, o esforço físico aumenta os níveis de serotonina no corpo, contribuindo para combater o estresse, o cansaço e a depressão.

A serotonina é uma molécula envolvida na comunicação entre os neurônios. Uma de suas funções é controlar a liberação dos hormônios que controlam o ritmo do sono e do apetite.

Fonte: R7

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Tempestades do corpo e da alma

Crises de depressão e de euforia provocam desequilíbrios químicos que podem danificar as células e acelerar o envelhecimento do corpo

Desde 2009 o psiquiatra Rodrigo Bressan e outros pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acompanham um grupo de adolescentes com alto risco de desenvolver doenças mentais graves como o transtorno bipolar e a esquizofrenia. Eles querem descobrir o momento adequado para agir antes que os problemas se manifestem e, assim, tentar evitar que se instalem. Ao mesmo tempo, procuram ensinar os adolescentes e seus familiares a lidar com situações estressantes que podem disparar as crises. Assim que possível, Bressan e os psiquiatras Elisa Brietzke e Ary Araripe Neto querem ver se compostos anti-inflamatórios, antioxidantes ou neurotróficos poderiam proteger as células cerebrais e, quem sabe, reduzir o risco de desenvolver essas doenças mentais.

A estratégia de tentar proteger o cérebro com esses e outros compostos se baseia na hipótese de que os neurônios e outras células cerebrais sofrem danos gradativos a partir do primeiro episódio mais intenso da doença – há quem suspeite de que os danos podem começar até mesmo antes. Estudos recentes indicam que nesses distúrbios o cérebro produz certos compostos em níveis nocivos que atrapalham o funcionamento das células e podem causar danos irreparáveis à medida que se sucedem, levando à deterioração das capacidades de raciocínio, planejamento e aprendizagem e até a uma alteração leve e definitiva do humor. Simultaneamente ao aumento na concentração dessas substâncias, haveria também uma diminuição nos de compostos neuroprotetores naturalmente produzidos pelo organismo.

Um dos pesquisadores que ajudou a desenvolver essa hipótese é o psiquiatra Flávio Kapc-zinski, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional. Ele está convencido de que a evolução dramática dos casos graves de transtorno bipolar e de depressão é consequência de alterações fisiológicas causadas pelas crises recorrentes.

As crises que de tempos em tempos atormentam a mente também intoxicam o corpo, acredita Kapc-zinski. Elas seriam como tempestades químicas que desfazem o equilíbrio das células cerebrais e liberam compostos que, carregados pelo sangue, inundariam o organismo – às vezes levando a um grau de intoxicação quase tão grave como o enfrentado por quem desenvolve uma infecção generalizada (sepse). Repetidas ao longo de anos ou décadas, essas avalanches tóxicas precipitadas por surtos de depressão ou de mania produziriam um desgaste lento e progressivo do cérebro e de todo o corpo, reduzindo a capacidade de recuperação e acelerando o processo de envelhecimento.

Kapczinski começou a elaborar esse modelo teórico com base em experimentos feitos por sua equipe e por outros grupos para explicar como e por que a depressão e o transtorno bipolar, uma vez instalados e sem o tratamento adequado, seguem um padrão de agravamento progressivo que pode culminar com a morte precoce por problemas cardiovasculares e até câncer. De acordo com o modelo, as outras doenças que aparentemente nada têm a ver com o que se passa no cérebro poderiam evoluir como resultado dos desequilíbrios orgânicos gerados pelos episódios severos de depressão e mania.

Apresentada inicialmente em 2008 na Neuroscience and Behavioral Reviews, essa hipótese vem ganhando reconhecimento internacional. No último ano os estudos de Kapczinski já foram citados cerca de mil vezes em outros trabalhos. O psiquiatra australiano Michael Berk, da Universidade de Melbourne, acompanha essas pesquisas e, com Kapczinski, chamou esse novo modelo de neuroprogressão.

“Sabemos que esses distúrbios são progressivos e essa proposta teórica explica por quê”, diz Berk. Para ele, a interpretação de que essas doenças se agravam a cada surto pode gerar um impacto importante no tratamento por indicar a necessidade de diagnóstico e intervenção precoce e por sugerir que terapias neuroprotetoras possam atenuar o efeito desses problemas.

“A ideia está posta”, diz o pesquisador da UFRGS. “Agora é possível trabalhar para tentar confirmá-la ou refutá-la.” Ele sabe que o modelo é ousado e que é necessário reunir mais evidências para demonstrar que ele representa de modo adequado a evolução da depressão e do transtorno bipolar. “Temos trabalho para umas duas décadas”, diz Kapczinski.

Conceito e realidade

Segundo alguns especialistas, o conceito de neuroprogressão explica bem os sintomas clínicos, mas é possível questionar se essas alterações biológicas de fato ocorrem, uma vez que as evidências ainda são incipientes. Exames de imagens que indicam redução no volume de algumas áreas cerebrais em geral são feitos com pacientes de idades diferentes, que passaram por números distintos de surtos de mania e depressão. Provas mais consistentes exigiriam o acompanhamento de pacientes por vários anos, com a realização de exames de tempos em tempos para avaliar a evolução do problema.

Ainda que esteja longe de ser comprovada, essa proposta está abrindo caminhos para a busca de terapias mais específicas e eficientes e para o desenvolvimento de estratégias que permitam identificar precocemente as pessoas com risco de desenvolver esses problemas, como vem fazendo a equipe da Unifesp.

Se estiver correta, pode ajudar a entender como uma doença que de início se manifesta com um quadro relativamente benigno, em alguns anos deteriora a capacidade de raciocínio, planejamento e aprendizagem e altera definitivamente o humor a ponto de impedir uma pessoa de levar uma vida normal, como Kapczinski e outros médicos estão habituados a ver.

“Esse é um dos múltiplos mecanismos de progressão da doença”, afirma o psiquiatra norte-americano Robert Post, autoridade internacional em transtorno bipolar. “A evidência mais clara [de que pode estar correto] é que o número de episódios precedentes de depressão ou mania está correlacionado com o grau de disfunção cognitiva”, afirma Post, com quem Kapczinski colabora desde 2008.

Em um artigo publicado em maio deste ano no Journal of Psychiatric Research, Post, Kapczinski e Jaclyn Fleming analisaram quase 200 trabalhos com evidências de que a disfunção cognitiva aumenta, as alterações em algumas regiões cerebrais se intensificam e o tratamento perde eficiência à medida que cresce o número de crises e a duração da doença. No artigo, os pesquisadores reconhecem que não é possível saber se toda essa transformação é causa ou consequência da doença. Mas sugerem que, do ponto de vista clínico, parece prudente pensar em iniciar o tratamento o mais cedo possível e mantê-lo por um período mais prolongado.

“De acordo com essa visão, um surto de mania ou depressão pode ser entendido da mesma forma que o infarto”, diz Elisa Brietzke, ex-orientanda de Kapczinski. “Todos são eventos agudos, resultado de alterações que surgiram no organismo bem antes.” Ante essa interpretação, completa Araripe, “o objetivo do tratamento deixa de ser apenas a remissão dos sintomas e passa a ser evitar a recaída e auxiliar na manutenção da capacidade funcional”.  

Danos às células

O modelo sobre a progressão das doenças mentais proposto por Kapczinski e seus colaboradores representa um avanço em relação aos anteriores. A proposta teórica mais aceita considera os transtornos mentais resultado da interação entre as condições sociais, econômicas, psicológicas e culturais em que o indivíduo vive (os fatores ambientais) e sua propensão a desenvolver o problema, determinado por suas características genéticas.

Essa abordagem mais antiga começou a ser construída há uma década pelos psicólogos Avshalom Caspi e Terrie Moffit, pesquisadores do King’s College, em Londres, a partir dos resultados de estudos em que acompanharam 1.037 crianças dos 3 anos de idade até os 26 anos. Nesses trabalhos, eles observaram que certas alterações em genes responsáveis pela produção de mensageiros químicos do cérebro (neurotransmissores) aumentavam o risco de uma pessoa desenvolver comportamento antissocial ou depressão.

Além da influência dos genes e do ambiente, Kapczinski e seus colaboradores incluem no modelo novo um terceiro elemento: os danos às células do cérebro e de outros órgãos causados pelos surtos da própria doença psiquiátrica. Esses surtos em geral se iniciam como uma resposta do organismo a um evento estressante, que pode ser intenso e breve, como um assalto a mão armada, ou mais ameno e duradouro, a exemplo daquele vivido por quem trabalha o tempo todo sob tensão. Repetidos muitas vezes, os episódios de mania ou de depressão acabariam por minar a capacidade do corpo de lidar com novos eventos estressantes. “Nossa hipótese é que a doença se realimenta”, conta Kapczinski.

Essa proposta parece explicar melhor o agravamento dos distúrbios psiquiátricos marcados por crises sucessivas, como a depressão e o transtorno bipolar. Nessas enfermidades, a influência de fatores ambientais sobre a propensão genética seria fundamental para disparar os primeiros episódios de mania ou de depressão. Mas esses fatores perderiam importância à medida que a doença avança e os surtos se tornam cada vez mais frequentes e prolongados – em alguns casos, mesmo com o uso de medicamentos – e o intervalo entre eles menores. Com o tempo, em geral a partir da décima crise, os surtos ganham autonomia e podem se tornar independentes das condições estressantes que antes os disparavam.

Tormenta química

Há tempos se sabe que em cada episódio leve ou intenso de estresse, provocado por um perigo real ou imaginado, o organismo reage liberando o hormônio cortisol. Produzido por glândulas situadas sobre os rins e lançado na corrente sanguínea em pequenas quantidades e por pouco tempo, o cortisol aumenta os batimentos cardíacos, eleva a pressão arterial e acelera a produção de energia. Enfim, prepara o corpo para fugir do perigo ou enfrentá-lo. Mas, em doses altas e por períodos prolongados como pode acontecer antes das crises, o cortisol começa a lesar os órgãos, entre eles o cérebro (ver Pesquisa FAPESP n° 129).
 
Pouco tempo atrás pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos verificaram que, no interior das células cerebrais, em especial os neurônios, os níveis elevados de cortisol danificam as mitocôndrias, compartimentos em que o açúcar dos alimentos é convertido em energia. E danos nas mitocôndrias significam problema na certa. Elas produzem 85% da energia que as células consomem para se manterem vivas. Ainda que de modo indireto, o excesso de cortisol faz surgirem poros nas paredes das mitocôndrias, por onde vazam compostos tóxicos que avariam os lipídeos e as proteínas e alteram a estrutura da molécula de DNA no núcleo das células. Toda essa transformação aciona os mecanismos de apoptose, a morte celular programada.

Por meio de uma técnica que permite avaliar as milhares de proteínas produzidas pelo organismo em certo momento, o biólogo brasileiro Daniel Martins-de-Souza, pesquisador do Instituto Max Planck para Psiquiatria, na Alemanha, também obteve indícios de que o funcionamento dessas organelas está alterado nas doenças psiquiátricas. Em especial, na depressão verificou diferenças na fase final da produção de energia, a chamada fosforilação oxidativa ou respiração celular, que ocorre no interior das mitocôndrias.

As consequências dos danos às mitocôndrias não se restringem às células. Os compostos liberados por elas alcançam a corrente sanguínea e ativam proteínas do sistema de defesa que disparam a inflamação, como a interleucina-6 (IL-6), a interleucina-10 (IL-10) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-alfa). Chegando ao cérebro, essas proteínas ativam outras reações bioquímicas que causam a morte de mais neurônios. Segundo Kapczinski, esse processo realimenta a destruição celular, reforçada por outro fenômeno típico do transtorno bipolar: a superprodução do neurotransmissor dopamina, que também aciona a apoptose.

Foi medindo os níveis desses compostos no sangue que o grupo de Kapczinski identificou um fenômeno ao qual pouco se dava atenção: os surtos causam uma toxicidade sistêmica. Segundo ele, durante os episódios de mania e depressão, o nível de compostos associados à inflamação era bem mais elevado que o normal no sangue de pessoas com transtorno bipolar – em alguns casos, era semelhante ao de pessoas internadas em unidade de terapia intensiva com infecção generalizada (sepse).

Em roedores, já foi demonstrado que a toxicidade que se vê no sangue corresponde às alterações nas células cerebrais. Mas isso ainda precisa ser comprovado em seres humanos. “O melhor teste para comprovar os efeitos tóxicos dos episódios seria fazer uma intervenção para evitá-los e verificar se essa intervenção seria capaz de evitar alterações neurobiológicas”, diz Post.

A maioria das células parece sobreviver a essa tormenta química, ainda que com danos. Imagens do cérebro em funcionamento e exames de microscopia do tecido cerebral post mortem indicam que, nas crises de mania ou de depressão, algumas regiões perdem 10% a 20% mais neurônios do que em condições normais. De acordo com psiquiatras e neurologistas, esse nível de perda não é suficiente para classificar os transtornos de humor como doenças neurodegenerativas. Tanto no transtorno bipolar como na depressão o problema maior é que os neurônios que sobrevivem não permanecem íntegros: eles aparentemente perdem prolongamentos chamados neuritos, que os conectam com outros neurônios.

Muitos pesquisadores da área acreditam que é a perda de conectividade neuronal que compromete o funcionamento das regiões cerebrais mais afetadas nos distúrbios do humor. O fato de serem alterações sutis pode explicar por que o neuropatologista alemão Alois Alzheimer, que descreveu 100 anos atrás os danos neuronais típicos da doença que leva seu nome, não encontrou alterações importantes no cérebro de pessoas com depressão – razão por que se passou a dizer na época que a neuropatologia era o túmulo dos psiquiatras. “Apesar de sutis, essas transformações seriam suficientes para causar uma reorganização patológica do cérebro”, afirma Kapczinski.

As transformações anatômicas do cérebro nas doenças do humor começaram a ficar evidentes há cerca de 10 anos, quando Grazyna Rajkowska e seu grupo na Universidade do Mississípi verificaram uma redução no volume do córtex pré-frontal de pessoas com depressão. A diminuição de volume nessa área e também na região dos ventrículos vem sendo confirmada por exames de imagem também no transtorno bipolar. Localizado na parte anterior do cérebro, o córtex pré-frontal é responsável pela estruturação do raciocínio, pela tomada de decisões e pelo controle do comportamento. Essa alteração morfológica permite explicar por que, com o avanço da doença, quem tem transtorno bipolar perde progressivamente a capacidade de planejamento e aprendizado. Essas pessoas também se tornariam mais impulsivas e suscetíveis às emoções por ocorrer simultaneamente um aumento do volume da amígdala, que coordena a resposta ao medo e às emoções negativas.

Hipótese em formação

Kapczinski começou a colecionar evidências de que uma tormenta química se instala no organismo de quem sofre de transtorno bipolar em 1997, quando retornou de seu doutorado na Inglaterra e de um período de estágio no Canadá. Na época o grupo chefiado por ele no Laboratório de Psiquiatria Molecular da UFRGS havia notado que pessoas com transtorno bipolar, além das alterações psicológicas e cognitivas em geral observadas pelos psiquiatras, apresentavam no sangue níveis elevados de compostos que indicam danos nas células cerebrais e taxas baixas de fatores que protegem essas células. “As moléculas que estudamos funcionam como biomarcadores [indicadores de alterações biológicas] que permitem distinguir se a doença se encontra num estágio inicial ou avançado”, afirma Kapczinski.

E conhecer o estágio da doença é importante para se indicar o tratamento adequado – e essa nova hipótese pode ajudar a aprimorar o uso dos medicamentos. Há evidências de que o controle da enfermidade logo após os primeiros episódios de depressão ou de euforia preserve a capacidade de recuperação do organismo, impedindo a degradação psicológica e cognitiva. Os medicamentos – estabilizadores do humor, antidepressivos, antipsicóticos e anticonvulsivos, usados sozinhos ou em combinação – em geral são eficazes em 80% dos casos de transtorno bipolar e de depressão e, comprovadamente, produzem efeito neuroprotetor, em especial o lítio, um estabilizador do humor barato e eficiente, que antes era usado para combater estresse, gota e pedras no rim.

Mas os psiquiatras nem sempre conseguem acertar a medicação e a dose na primeira tentativa. Um estudo norte-americano recente, conduzido por pesquisadores da Escola Médica Mount Sinai com 4.035 pessoas com transtorno bipolar, verificou que 40% delas, em especial aquelas com quadros depressivos mais graves, só conseguiam manter a doença sob controle tomando três ou mais medicamentos.

Kapczinski acredita que, em geral, essas doenças atingem um estágio muito mais difícil de ser controlado após a décima crise, que costuma ocorrer por volta de 10 anos após as primeiras manifestações da doença. Por essa razão, os psiquiatras consideram fundamental iniciar o tratamento com medicamentos o mais cedo possível. Também já se havia observado que o lítio, um dos medicamentos mais usados para tratar o transtorno bipolar, perde eficácia após o décimo surto.
 
As pessoas com transtorno mental normalmente só vão ao psiquiatra muito tempo depois de surgirem os primeiros sinais da doença. Podem correr anos até um especialista fazer o diagnóstico correto e receitar os medicamentos adequados. No caso do transtorno bipolar, o período decorrido entre a primeira manifestação do problema e início do tratamento varia de 5 a 10 anos, tempo suficiente para surgirem complicações no trabalho, na convivência com a família e os amigos e a vida se desestruturar.

As partes e o todo

Foi analisando as variações nos níveis desses biomarcadores no sangue de pacientes que Kapc-zinski sentiu necessidade de buscar uma explicação mais abrangente, que permitisse associar os sinais clínicos da doença às alterações fisiológicas e anatômicas que a ciência começava a detectar no cérebro de pessoas com transtorno bipolar, que em média atinge 1% da população – calcula-se que até 8% possam apresentar formas mais leves –, e outro distúrbio do humor bem mais comum: a depressão maior ou unipolar, que quase 15% dos adultos desenvolvem ao longo da vida.

Kapczinski viu que não estava satisfeito com o que tinha em mãos quando recebeu um convite para apresentar os resultados de seu grupo em um simpósio internacional no Hospital Clínic de Barcelona, na Espanha, em meados de 2006. “Faltava uma cola teórica que mostrasse como os dados se encaixavam”, diz Kapczinski.

Ele e sua equipe haviam coletado amostras de sangue de pessoas com transtorno bipolar durante os períodos em que se experimentam os estados extremos de humor, que variam de uma tristeza intensa e baixa autoestima a uma grande vitalidade e energia muito além do normal. Em uma bateria de testes, o psiquiatra Angelo Miralha da Cunha, então na UFRGS, observou um fenômeno novo tanto nas crises depressivas como nos episódios de mania: os níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), de ação neuroprotetora, eram ao menos 25% mais baixos do que nas pessoas que não apresentavam o transtorno ou que o mantinham sob controle com a ajuda de medicamentos.
 
Ao mesmo tempo, Ana Cristina Andreazza e Elisa Brietzke, que integravam a equipe de Kapc-zinski, detectaram taxas mais elevadas de proteínas indicadoras de inflamação, além de níveis mais altos de radicais livres, moléculas altamente reativas, com potencial para lesar as células, durante os períodos de alteração do humor. Esses dados sugeriam que o sangue poderia guardar pistas do que se passava no cérebro. Mas, àquela altura, não era possível saber com segurança o que essa alteração significava nem por que ocorria.

Cola teórica

Kapczinski encontrou a cola teórica que procurava nos estudos do neurocientista norte-americano Bruce McEwen. Em 2000 McEwen havia proposto a hipótese de que situações estressantes obrigam o organismo a fazer ajustes para recuperar a estabilidade perdida. McEwen chamou essa adaptação de alostase, uma mudança necessária para restabelecer o equilíbrio (homeostase). E disse mais. Ao longo do tempo essa adaptação cobrava um preço: causava o desgaste do organismo.

As propostas teóricas do psiquiatra Robert Post completavam essa ideia. Na década de 1980, Post havia sugerido que os sinais clínicos do transtorno bipolar se tornariam mais intensos a cada crise, em consequência da maior sensibilidade dos circuitos cerebrais afetados nos episódios anteriores. O fenômeno, chamado em inglês de kindling, havia sido descoberto duas décadas antes por Graham Goddard, neurocientista inglês que estudava a epilepsia. Durante testes com roedores, Goddard notou que estímulos elétricos de baixa intensidade, inicialmente incapazes de causar danos ao animal, passavam a disparar crises epilépticas depois de repetidos algumas vezes – sinal de que o cérebro havia se tornado mais sensível.

“A partir desses experimentos, outros autores começaram a conceituar a ideia de que o cérebro aprendia a ficar doente também em outras situações, em especial no transtorno bipolar”, conta o neurofisiologista Luiz Eugenio Mello, da Unifesp. “De acordo com essa ideia, modificações no sistema nervoso central, possivelmente no nível das sinapses [conexões entre as células cerebrais], seriam capazes de transformar um cérebro pouco doente em muito doente”, explica.
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Os Projetos
1
Análise estereológica post mortem das principais regiões cerebrais de indivíduos portadores de transtorno afetivo bipolar – nº 09/51482-0
2
Prevenção na esquizofrenia e no transtorno bipolar da neurociência à comunidade: uma plataforma multifásica, multimodal e translacional para investigação e intervenção – nº 11/50740-5
 
Modalidade
1
Auxílio Regular a Projeto de Pesquisa
2
Projeto Temático / Pronex
 
Coordenadores
1
Beny Lafer – USP
2
Rodrigo Affonseca Bressan – Unifesp
 
Investimento
1
R$ 130.249,30
2
R$ 2.378.201,50
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Ao analisar seus dados à luz da ideia de alostase e de sensibilização – mais tarde reunidas no conceito de neuroprogressão –, Kapczinski encontrou o vínculo entre o que seu grupo havia observado e as alterações de volume em algumas áreas do cérebro que equipes estrangeiras detectavam. Essa unificação de conceitos poderia explicar a origem dos sinais clínicos característicos dessas doenças e, além disso, por que as pessoas com transtorno bipolar e depressão podem morrer entre 25 e 30 anos mais cedo do que as pessoas sem distúrbios psiquiátricos. Uma proporção maior das pessoas com transtorno bipolar e depressão desenvolve câncer e problemas cardiovasculares.

Por influência do neurocientista Iván Izquierdo, Kapczinski fez algo pouco comum na área da saúde no Brasil: a formulação de uma teoria para explicar o desenvolvimento e os desdobramentos de doenças psiquiátricas. Como toda tentativa de reproduzir uma realidade a partir dos fragmentos que podem ser identificados e medidos, o modelo teórico idealizado pelo grupo gaúcho continua em constante aperfeiçoamento. Desde a apresentação em Barcelona, Kapczinski e seus colaboradores no Brasil, na Austrália, nos Estados Unidos e na Espanha trabalham para aprimorar essa proposta teórica e ver se estão no caminho certo.

O próprio Kapczinski está pondo sua hipótese à prova ao testar em camundongos uma versão modificada do antidepressivo tianeptina, desenvolvida na UFRGS, com o propósito de aumentar a proteção dos neurônios. Outra forma de verificar se a hipótese está correta é examinar as alterações químicas e celulares em amostras de bancos de encéfalos de pessoas com doenças psiquiátricas, como o que os psiquiatras Beny Lafer e Helena Brentani estão organizando na Faculdade de Medicina da USP. Em outra linha de trabalho, Lafer iniciou recentemente um teste clínico com suplementos do aminoácido creatina, que deve melhorar o funcionamento das mitocôndrias e também pode aumentar a proteção celular.

Ana Cristina Andreazza, atualmente pesquisadora da Universidade de Toronto, onde investiga os efeitos do mau funcionamento das mitocôndrias nas células cerebrais, lembra que uma dieta adequada e rica de antioxidantes também pode ajudar na proteção cerebral.

“A hipótese da neuroprogressão é um dos modelos importantes hoje em dia para explicar a progressão dessas doenças”, comenta Lafer, colaborador do grupo gaúcho. “Há outras hipóteses, baseadas na genética, na interação entre genes e ambiente e na inflamação, mas ainda não existe consenso.”

Artigos científicos

1 KAPCZINSKI, F. et al. Allostatic load in bipolar disorder: Implications for pathophysiology and treatment. Neuroscience and Behavioral Reviews. v. 32, p. 675-92. 2008.
2 BERK, M. et al. Pathways underlying neuroprogression in bipolar disorder: Focus on inflammation, oxidative stress and neurotrophic factors. Neuroscience and Behavioral Reviews. v. 35, p. 804-17. 2011.

Fonte: Pesquisa

Grão-de-bico afasta a depressão

Pesquisas afirmam que o grão-de-bico é mais nutritivo do que o feijão e tem 30% a mais de proteína, zinco, potássio, cálcio e magnésio

http://integraldelivery.com.br/lojaflordograo/product_images/k/375/graodebico__76064_zoom.JPGConsiderada uma das leguminosas mais nutritivas, o grão-de-bico também é capaz de afastar a depressão. Ele aumenta a produção de serotonina, que é uma molécula envolvida na comunicação com os neurônios.

Ela tem inclusive a função de liberar alguns hormônios e regular o ritmo do sono e do apetite. Pesquisas afirmam que o grão-de-bico é mais nutritivo do que o feijão e tem 30% a mais de proteína, zinco, potássio, cálcio e magnésio.

Se for consumido diariamente, ajuda a reduzir o nível de colesterol ruim. Por conter hormônios vegetais, é utilizado também na reposição hormonal e essas substâncias ajudam na prevenção da osteoporose e até no combate ao câncer.

Fonte: R7

Suicídio e depressão

http://www.portugal-linha.net/arteviver/images/man.jpgHistoricamente, gregos e romanos nos interpretavam o suicídio com ambitendência. Na doutrina Judaica-Cristã, a vida deve ser preservada. Segundo Santo Tomás de Aquino, o suicídio seria uma forma de assassinato. Caberia a Deus o fim da existência. No moderno contexto social, a interpretação do suicídio é complexa. Para Stevenson, vítimas de suicídio sofrem de alguma doença orgânica ou transtornos da personalidade. Quanto mais elevada .a classe social, maior o risco. O desemprego, a queda do status social e a desilusão afetiva, a separação conjugal, dividindo e reprimindo o relacionamento afetivo dos filhos, submetidos a novas personagens da partenidade e da martenidade. Padrastos e madrastas não representam biologicamente a natureza humana.

Estudos contemporâneos revelam transtornos relacionados ao suicídio. Vivências de perda comprometidas com o objeto amado, ruptura da ferida narcísica de âmbito profissional e fortes emoções afetivas. Para Aaron Beck, Professor emérito da Universidade da Pennsylvania, a finitude de todas as esperanças é um dos indicadores do risco de suicídio mais precisos. Com distorções das idéias e dos pensamentos, proporcionando percepção ou cognição negativista e pessimista da vida, do mundo e do futuro, determinando um estado depressivo final. Durante as recessões econômicas, as taxas de suicídio aumentam. Na Grande Depressão da década de 30 nos Estados Unidos, os maiores índices de suicídio ocorreram na Ponte Golden Gate, em São Francisco, segundo Alec Roy professor da Universidade de New Jersey.

Como questão popular leiga, o suicídio seria um ato de loucura, corvadia ou coragem? Culturas místicas relacionam o suicídio com a autopunição ou renascimento. A partida para um mundo melhor. Um sentimento espiritual místico de realização e supostas gratificações. O terrorismo de fanáticos com atentados e auto-destruição (Nova Iorque, "homens Bombas" no Oriente, não conduz ao paraíso, mas para o inferno, com maldição religiosa.)

Kay Taminson, da Universidade de Johns Hopkins, afirma que o governo americano incentiva em saúde publica programas de diagnostico e prevenção do suicídio entre os jovens. Testes psicológicos, questionários, inventários e "life charts" são procedimentos de rotina nas Escolas para detectar jovens potencialmente suicidas.

Os grupos de risco genéticos selecionados são monitorados pelos Departamentos de Psicologia e Psiquiatria das Universidades.

As alterações encontradas são os transtornos bipolares, depressão maior, anorexia grave como transtorno de doença mental, ideias de suicídio. Comprometimento genético (depressão, suicídio, alcoolismo e drogas). Calory Pataki, da Escola de Medicina da Universidade de Los Angeles, consigna como fatores importantes no suicídio de adolescentes: eventos adversos da vida, circunstâncias ambientais familiares desfavoráveis ou impróprias e alterações cognitivas.

Doenças orgânicas graves, câncer, esclerose múltipla, demência, Aids, Alzheimer estão relacionadas. Segundo autores, suicídios apresentam depressão (que se comprova através dos níveis de serotonina) e transtornos mentais. As personalidades compatíveis com o suicídio são: borderline, antissocial, ciclotímica, compulsiva e esquizóide. Simplesmente um ato de loucura? Ou revolta e fuga de um mundo violento, cruel e traiçoeiro, mundo letal.

Ansiedade pode causar envelhecimento precoce

Todo mundo fica ansioso. Afinal, não é sempre que conseguimos manter a calma enquanto esperamos por algo, ou diante de situações que podem fugir do nosso controle. É normal. O problema é que, em excesso, esse sentimento pode causar problemas de saúde, inclusive envelhecimento precoce.

Estudo realizado recentemente por pesquisadores do Brigham and Women’s Hospital (BWH), vinculado à Universidade de Harvard (Estados Unidos), apontou uma possível ligação entre transtornos de ansiedade e envelhecimento precoce em pessoas de meia-idade.

Para chegar a essa conclusão, eles analisaram amostras de sangue de 5.243 mulheres com idade de 42 a 69 anos e comparam com respostas dadas pelas participantes em um questionário sobre ansiedade.

Aquelas que relataram sintomas de transtorno de ansiedade apresentavam envelhecimento celular precoce – era como se suas células tivessem envelhecido seis anos a mais do que o normal.

Essa descoberta foi feita através da avaliação de estruturas celulares chamadas telômeros, responsáveis por proteger os cromossomos (que armazenam nosso código genético). Conforme as células envelhecem, os telômeros se tornam mais curtos e os riscos de se desenvolver câncer, doenças vasculares, cardíacas e outras aumenta. “O estudo mostrou uma conexão entre uma forma comum de estresse psicológico e um mecanismo plausível de envelhecimento precoce”, resume a pesquisadora Olivia Okereke, do Departamento de Psiquiatria do BWH. “Contudo, esse tipo de estudo não pode provar qual dos problemas veio primeiro, a ansiedade ou o encurtamento dos telômeros”.
 
Fonte: Hype Science

"Fobia social" : Pesquisadores da USP testam novo tratamento para o distúrbio que afeta 8% da população.

Um novo tratamento contra fobia social está sendo testado há um mês por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). A terapia usa um programa de computador que mostra imagens em três dimensões que reproduzem situações sociais iguais às que causam desconforto ao paciente. A fobia social é um distúrbio que leva a pessoa a sofrer cada vez que precisa se submeter a situações de interação social ou que tenha que mostrar desempenho em alguma atividade e afeta 8% da população.
 
De acordo com psicóloga e pesquisadora do Hospital das Clínicas Cristiane Maluhy Gebara, responsável pelo projeto, na terapia, o paciente usa fones de ouvido e óculos especiais que o colocam “dentro” das situações exibidas como se ele realmente fizesse parte daquilo. São exibidas imagens de interação com desconhecidos, de participação em reuniões e até de situações em que é preciso falar a plateias. Com isso, é possível testar se o programa contribui para diminuir a reação de ansiedade dos que sofrem de fobia social.

“[A fobia social] é um transtorno de ansiedade em que as pessoas têm muito medo da avaliação negativa do outro, o que gera dificuldade de interação. Elas evitam situações em que tem que se expor e, quando as enfrentam, fazem isso com muito desconforto, com sofrimento", explica Cristiane. Segundo a psicóloga, entre os sintomas estão a taquicardia, a sudorese, o rubor nas faces. "É uma situação que incomoda muito, porque a pessoa imagina que quem está observando percebe e acaba se sentindo embaraçada e humilhada.” 
 
Uma das técnicas de tratamento é a exposição do paciente à situação, o que pode ser feito ao vivo ou simplesmente imaginado. Com a técnica da exposição ao vivo, a melhora ocorre em 70% dos casos. “Com tal técnica, de forma gradual e repetida, colocamos a pessoa nas cenas que causam desconforto da que menos incomoda para a que mais causa incômodo”, informa a pesquisadora. 
 
Ela ressalta que, com a tecnologia e a possibilidade do uso da realidade virtual, a técnica que está sendo testada no Hospital das Clínicas permite a exposição do paciente a situações difíceis, mas de forma menos agressiva. “Alguns estudos feitos fora do país mostram que o tempo de exposição fica menor e, como isso é feito no consultório, o tempo de tratamento pode ser encurtado e é mais seguro, porque a pessoa sente a ansiedade praticamente da mesma forma, mesmo estando em um ambiente mais privado.”


Nos testes estão previstas 12 sessões, mas o tempo de tratamento varia de um paciente para outro, podendo chegar a até seis meses. “Algumas pessoas não terão tanta dificuldade ao olhar uma cena, então podem terminar o tratamento antes”, diz Cristiane. As causas da fobia social podem ser genéticas ou adquiridas por aprendizagem ou educação. “A pessoa aprende ou copia comportamentos dos pais e aí pode desenvolver fobia social mais para a frente. O transtorno se inicia quando criança e passa para a adolescência”, completa a psicóloga. 
 
Se não for tratada devidamente, a fobia social pode acarretar prejuízos de todos os tipos na vida do indivíduo. Segundo Cristiane, há casos de pessoas que deixam de aceitar cargos que exijam mais exposição, com muita participação em reuniões, por exemplo. Na vida pessoal, também podem ocorrer prejuízos, pois, muitas vezes, o paciente deixa de ter uma vida normal por causa da dificuldade para se relacionar e até para paquerar, afirma a pesquisadora. 
 
O diagnóstico é feito com base na análise de alguns critérios específicos. Com o tratamento, o nível de ansiedade chega a cair muito e a pessoa passa a viver normalmente. O tratamento ainda está em fase de pesquisa e não há previsão de quando a técnica será implantada nas terapias cotidianas.


Fonte: Momento Verdadeiro

Dependência química pode levar a transtornos mentais

Dependentes químicos são mais suscetíveis a transtornos mentais.

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De acordo com alguns especialistas, existe uma associação entre os transtornos mentais e a dependência química. Em alguns casos, o transtorno pode ocorrer antes da dependência (e o uso de drogas, mascarar a doença) como também pode surgir por indução do consumo.

Para Adriana Talarico, psicóloga especialista em dependência química da Clínica Maia Prime, a comorbidade (a associação de duas ou mais doenças) é um problema difícil de ser tratado porque há dificuldades em ser identificada. “Em primeiro lugar, precisamos esperar o processo de desintoxicação do paciente a fim de separar comportamentos associados ao consumo de entorpecentes de um possível transtorno mental”.

Entre as mais comuns que acometem os dependentes químicos estão: transtornos depressivos e de personalidade, psicose, transtornos ansiosos e em alguns casos transtornos alimentares (bulimia e anorexia).

“Algumas pessoas podem apresentar uma pré-disposição a esquizofrenia e passar a vida inteira sem ter nenhum tipo de crise. Mas se essa mesma pessoa começa a consumir qualquer tipo de droga, a possibilidade dela despertar essa comorbidade é muito grande”, explica Adriana.

Segundo o Ministério da Saúde, os transtornos mentais causados pelo abuso de drogas são a segunda causa de internações nos centros psiquiátricos públicos.

“O tratamento desse paciente deve ser feito por uma equipe multiprofissional e o varia de acordo com a gravidade cada indivíduo”, afirma a psicóloga.

Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria apontam que cerca de 30% dos moradores de rua são doentes mentais e 50% deles são dependentes de álcool ou algum tipo de drogas.
 
Fonte: Bagarai

sábado, 14 de julho de 2012

Pesquisa revela que pastores podem ter depressão e doenças crônicas motivadas por preocupação com fiéis

http://www.cristianismohoje.com.br/admin/images_conteudo/11958_Pastores%20feridos.jpgUm estudo realizado pela Universidade Duke, nos Estados Unidos, revelou que o ofício pastoral pode causar danos graves à saúde do pastor. A pesquisa realizada entre pastores da Carolina do Norte mostrou que o fato de eles se preocuparem excessivamente com os fiéis pode levá-los a adquirir doenças crônicas e depressão.
 
Rae Jean Proeschold-Bell, diretor de pesquisas e professor no Instituto de Saúde Global da Universidade de Duke, comentou sobre o resultado do estudo, “Os pastores reconhecem a importância de cuidar de si mesmos, mas, isso fica em segundo plano quando comparado com as suas responsabilidades profissionais, que inclui cuidar da comunidade”.
 
Os números da pesquisa revelam que mais de 10% dos pastores são depressivos, o que representa quase a metade da média nacional, e ainda tem os que adquirirem doenças crônicas como diabetes, asma, artrite e hipertensão. Além da má alimentação, a pressão interna para que o pastor seja exemplo, viva fielmente, apoie a comunidade, etc, contribuem para a evolução das doenças.
 
Outros estudos semelhantes já foram realizados, como por exemplo, um feito pela Igreja Luterana, que apresentou resultados parecidos, apontando vários pastores com problemas de saúde física e mental.
 
Fonte: Gospel+

Medo de depressão por uso do Facebook é infundado, diz estudo

http://imgsapp.diariodepernambuco.com.br/app/noticia_127983242361/2012/07/10/384363/20120710211707240486a.jpgO medo de um possível vínculo entre a depressão e a quantidade de tempo gasta no Facebook e em outras redes sociais é, possivelmente, infundado, indica um estudo publicado esta semana nos Estados Unidos. 

A Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin (norte) constatou que não há provas que sustentem a teoria esboçada em um estudo divulgado no ano passado pela Academia Americana de Pediatria, que sugeria que o uso do Facebook poderia levar adolescentes à depressão. 

"Nosso estudo é o primeiro a apresentar provas científicas referentes à suposta ligação entre o uso de redes sociais e o risco de depressão", assinalou a pesquisadora Lauren Jelenchick, da instituição de Wisconsin. 

Lauren e a professora Megan Moreno estudaram 190 alunos da universidade, com idade entre 18 e 23 anos, que passavam metade de seu tempo livre conectados ao Facebook, mas não encontraram relação entre redes sociais e depressão. O resultado foi publicado ontem no Journal of Adolescent Health. 

As pesquisadoras assinalaram que "um estudo apenas não pode confirmar ou descartar uma associação", referindo-se ao trabalho publicado anteriormente. "Embora o tempo gasto no Facebook não esteja associado à depressão, incentivamos os pais a terem um papel ativo, como modelos e professores, no uso das mídias."
 
Fonte: Tecnologia
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